O Sindicato dos Servidores da Justiça do Estado do Tocantins, (SINSJUSTO), celebra, neste 17 de março, 33 anos de criação. São mais de três décadas de representatividade, lutas, reivindicações, resistência e muitas conquistas que comprovam o compromisso do sindicato com a luta contínua por melhores condições de trabalho para os servidores.
Ao longo de sua trajetória o SINSJUSTO se consolidou como um importante porta voz dos servidores e acima de tudo, um defensor incansável da categoria. Por meio de movimentos paredistas alcançou grandes avanços como a implementação do PCCR, correção da Data-base, auxílio saúde, produtividade e outros. Através de negociações coletivas, debates, movimentos grevistas e apoio direto aos trabalhadores, o sindicato demonstra seu comprometimento e sua força investindo em sua estrutura física que hoje tem à disposição dos filiados sua sede própria, sede social com clube com ampla área de lazer, apartamentos, convênios e serviços.
“O dia 17 de março, representa um marco muito importante para todos nós servidores e servidoras do Poder Judiciário, pois a criação do sindicato, em 1992, significou um marco de união e transformação para o judiciário do Tocantins. É dia de agradecer a todos que contribuíram para o crescimento e fortalecimento da nossa entidade nessa incansável trajetória de lutas, defesa de direitos e conquistas, pois o sindicato somos todos nós unidos em prol da defesa de direitos e melhores condições de trabalho”, destacou a presidente da Junta Governativa do SINSJUSTO, Maria das Dores.
Ainda de acordo com a presidente, o SINSJUSTO irá acompanhar de perto os avanços e desafios impostos aos órgãos do Judiciário e a seus servidores pela transformação digital que vem acontecendo em todas as esferas da sociedade. “São mudanças que causam impacto e requerem aprimoramento por parte das instituições; a virtualização dos atendimentos, as lutas contra situações de assédio, racismo, misoginia e a defesa da diversidade são parte dos debates nas instituições; de forma que o uso de novas ferramentas, como a Inteligência Artificial, nos colocam diante de grandes desafios, mas também nos direciona para um atendimento mais célere à população; Nossa atenção com certeza também se dará no âmbito da saúde dos servidores”.
Conquistas
Ao longo de tantos anos, muitas foram as vitórias alcançadas para a categoria. Destacam-se a incorporação da Gratificação de Atividade Judicial (GAJ) ao salário, a implantação do primeiro Plano de Cargos e Salários; Aumento de cerca de 200% no valor do salário-base; A classe enfrentou uma greve de 94 dias em busca do atual Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR). Implantação da produtividade no percentual de 30% do subsídio; gratificação de atividade judiciária e todas as reposições da data-base; Implantação do auxílio saúde e auxílio alimentação. A conquista da Carta Sindical, emitida pelo Ministério do Trabalho e Emprego - (MTE), e publicada no Diário Oficial da União no dia 1° de fevereiro de 2018 também foi um marco histórico para a entidade e seus filiados e muitas outras conquistas.
Representatividade
Hoje o SINSJUSTO conta com mais de 1200 filiados, é uma instituição forte e consolidada, com delegados presentes nas comarcas e uma diretoria formada por membros representantes de diversas comarcas do Tocantins.E, como um dos membros ativos da Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário nos Estados (FENAJUD), o sindicato representa não apenas os trabalhadores e trabalhadoras do Tocantins, mas também da região Norte do país, ato que contribui para uma maior diversidade, representatividade e articulação da categoria. A história do SINSJUSTO é formada por milhares de histórias de vida e comprometimento com a entidade. Confira abaixo alguns depoimentos de servidores filiados e ex-presidentes.
Com a palavra, Gian Magna - Ex-presidente do SINSJUSTO - 2003-2006
“Estive à frente do Sindicato no período de 2003 a 2006 e minha inserção na política sindical se deu por meio de uma conversa despretensiosa com colegas de trabalho no Fórum da comarca de Palmas em que era unânime o descontentamento com o salário e benefícios que recebíamos à época, bem como o descrédito que nós, servidores da Justiça, tínhamos perante nossos governantes e mesmo dentro do próprio Judiciário.
Decidimos montar uma chapa para concorrer às eleições sindicais com o propósito de mudar nossa situação salarial e também nossa condição como servidores da Justiça, buscando o respeito e a representatividade que julgávamos merecer e que não tínhamos alcançado até então.
E assim, um passo de cada vez, começamos a trilhar o difícil caminho do reconhecimento pelo valoroso trabalho prestado pelos servidores da Justiça à sociedade na busca de seus direitos.
À época, o Sindicato estava desacreditado pela maioria dos servidores, não tínhamos um saldo significativo para cobrir as despesas e proporcionar aos colegas do interior a possibilidade de se deslocarem para a Capital para assembleias da categoria.... Mas a força e a coragem de cada um que acreditou que juntos podíamos alcançar o que parecia inalcançável foram fundamentais para chegarmos a esse lugar de destaque que o Sindicato tem hoje.
Acredito que avançamos bastante. (Lembro-me que meu salário nessa época (2003), como escrevente judicial era o equivalente a 903 reais.) E esse não foi um trabalho individual, mas coletivo. O que mais me motivava naqueles momentos difíceis, entre greves, ameaças de perda de ponto, cansaço pelo próprio desgaste emocional e físico, era saber que tínhamos nos tornado um grupo unido pela luta por nossos direitos, que não se deixaria abater diante dos desafios que tínhamos a percorrer.
Dentre as maiores conquistas que tivemos, além da melhoria salarial, fruto de nossas constantes reivindicações, foi o retorno da filiação em massa dos colegas servidores que voltaram a acreditar na força que temos ao nos unirmos. E essas conquistas foram acrescidas de força com as contribuições dos colegas que me sucederam como representantes de nossa categoria.
E é essa união que deve prevalecer para que possamos conquistar tudo aquilo que é nosso por direito, deixando um legado aos que estão chegando de que o Sindicato dos Servidores da Justiça do Tocantins deve ser um estandarte de luta, coragem e confiança de que a Justiça está ao alcance de todos aqueles que se propõem a buscá-la.
Com a palavra, Luiz Aires - servidor e dirigente sindical
“Permitam-me contar um pouco da história do Luiz Aires no movimento sindical - Iniciei a minha militância junto ao movimento sindical na década de 1980 no Sindicato dos Trabalhadores em Telefonia de Goiás e Tocantins; Naqueles tempos difíceis, o trabalho de organização e consciência sindical, apesar de termos o imposto sindical, o que não transformava os sindicatos em entidade profissional pois havia muita perseguição dos donos de empresas; Já em 12 de fevereiro de 2010 fui aprovado no concurso público do Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins para o cargo de auxiliar judiciário e neste mesmo ano adentrei nas fileiras do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado do Tocantins - SINSJUSTO para contribuir com os companheiros na luta pelos direitos dos nossos servidores filiados e por toda a nossa categoria. Defendo a categoria e defendo um sindicato forte, unido e por isso levanto a bandeira de que a nossa contribuição financeira destinada ao sindicato é para fortalecer a luta, ou seja, é para a formação de novas lideranças e para a formação dos nossos dirigentes. Sou contra a intervenção da justiça do trabalho nas entidades representativas dos servidores, seja a qualquer título, pois quem deve resolver seus problemas dentro das entidades são os trabalhadores que ali são filiados. Entendo que a intervenção ainda é um resquícios da ditadura militar. Vou continuar a contribuir para fortalecer cada vez mais a luta pois sem sindicato não há organização e, sem sindicato estaremos sempre sujeitos à perseguição patronal. Na luta conquistamos o nosso tão sonhado Plano de Cargos e Carreira, graças a uma greve de quase 100 dias e, o mais importante, conquistamos o respeito enquanto entidade, de todos os servidores filiados ou não ao SINSJUSTO. Permaneceremos na luta pela constituição de uma mesa permanente de negociação dentro do judiciário com a participação dos sindicatos da categoria. Sou de luta, sou guerreiro e estou sempre pronto para os embates na defesa de nossos direitos”.
Com a palavra, Janivaldo Ribeiro - coordenador de Comunicação da Fenajud e ex-presidente do SINSJUSTO - 2012-2015
No mesmo dia em que tomei posse no Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins me filiei também ao Sinsjusto. Penso que uma categoria forte passa por um sindicato atuante e forte. Naquele ano (2003) o Sindicato sob a presidência de Giann Magna enfrentava uma luta pela estruturação da carreira dos trabalhadores e trabalhadoras da justiça tocantinense.
Não tive dúvidas e mesmo em estágio probatório aderi à greve e engrossei a fileira da luta. Ao final, restou aprovado o PCCR que corrigia algumas situações, mas deixava outras sem solução. Movido pelo espírito de luta e da coletividade, em 2006, a convite saio como vice-presidente do Pereira, período de grandes lutas e conquistas. Permaneço na chapa do Pereira em sua reeleição 2009, desta feita, num rearranjo necessário, saio como Secretário, período que conseguimos a aprovação do tão sonhado PCCR (2.409/10), que levaria quatro anos para sua total implementação. Em 2012 coloco-me a disposição para presidir o Sindicato. Depois de uma batalha imensa pensamos que esse período seria mais fácil.
No entanto, enfrentamos desde o inicio a tentativa de desfigurar o plano recém aprovado, mas com a união de propósitos de toda a categoria conseguimos garantir as datas-bases do período (2012/2015) e a implementação de 75% do PCCR (2012/13/15), ou seja três parcelas de quatro da tabela vencimental aprovada. Já na gestão presidida pelo Fabricio, ocupei o cargo de Diretor Jurídico, tendo implementado a última parcela do PCCR e iniciamos a luta pela implementação do AQ e outras demandas.
Bem, a história contada de forma tão linear pode levar ao engano de que foi uma experiência apenas de boas novas e sem sobressaltos e sofrimentos. Não!
A luta reclama resiliência, paciência e uma boa dose de esperança. Resiliência para poder compreender os vários NÃOS que recebemos. Paciência para encarar a desconfiança constante e sistemática de seus iguais. Esperança na crença que o amanhã sempre será melhor que o hoje. O Sinsjusto é o principal instrumento de luta dos trabalhadores e das trabalhadoras do Poder Judiciário do Tocantins.
O Sindicato vem se consolidando forte ao longo de sua existência, mesmo que alguns de nós não o reconheça assim, o fato é que a cada gestão se aprimora mais e mais. Olhando para trás tenho como perspectiva futura para manter a linha evolutiva ascendente de nosso Sindicato a necessária formação política de nossa categoria. Infelizmente ainda não conseguimos nos enxergar como de fato somos: trabalhadores e trabalhadoras.
A consciência de classe é fundamental. Nos ver como classe trabalhadora nos coloca em um lugar do verdadeiro privilégio, pois conseguimos ter clareza de quem nós somos e como devemos nos portar diante das adversidades da vida. Com ela, a consciência, vem também a responsabilidade de conduzir os mais novos rumo à compreensão social do mundo do trabalho. Enfim, nesse dia do aniversário de nosso Sindicato desejo que ele continue a crescer e que permaneça como um instrumento de luta e de defesa dos interesses da classe trabalhadora do judiciário tocantinense e que consiga, para além das questões corporativas, se aproximar mais do conjunto da sociedade tocantinense e brasileira.
Com a palavra a servidora aposentada - Rosete de Farias Meireles
O SINSJUSTO nasceu há 33 anos por iniciativa de alguns servidores que viram a necessidade de uma entidade capaz de representar os interesses dos trabalhadores da Justiça do Estado do Tocantins e ao longo desses anos o sindicato se consolidou como entidade e se fortaleceu com a crescente adesão de servidores, inclusive a minha. As lutas foram muitas, mas sempre conseguimos êxito ao final das batalhas. A atuação do sindicato na promoção de boas condições de trabalho e a luta por melhores salários, bem como, por representar seus filiados juridicamente é um dos principais pilares que eu defendo. O SINSJUSTO é o porta voz que dos servidores da justiça que, entre outras funções desempenhadas, eu posso destacar que representa os trabalhadores nas negociações coletivas e nas demais relações pertinentes ao trabalho laboral Ser filiado é importante pois garante recursos para que o sindicato possa atuar em defesa dos direitos e interesses dos servidores bem como Promover condições de lazer por meio da sede social. Parabenizo a todos que se propõe a estar à frente desta, tanto no passado como no presente. Avante, a vitória é nossa!